terça-feira, 4 de outubro de 2011

É Impossível Ser Feliz Sozinho

Será mesmo impossível? Quanto tempo a gente perde procurando por alguém que preencha esse eterno vazio que a gente não cansa de sentir e cultivar? Quantas coisas poderíamos fazer durante esse tempo, se não estivéssemos nessa busca louca e desenfreada pelo parceiro (a) ideal?
Tomemos, então como ponto de partida essa ilusão de que o parceiro (a) ideal realmente existe...
Sim, ilusão! Por que achamos que a nossa felicidade e a solução de todos os nossos problemas encontra-se no outro?
Ora, já passou demais o momento de aprendermos que nossa felicidade se encontra dentro de nós e somos os únicos capazes de promover - e manter verdadeiramente - nossa felicidade.
Veja, se estivermos do lado do grande amor de nossas vidas, mas algo estiver errado, se não estivermos bem resolvidos com nossos próprios sentimentos, aquela que julgamos ser a pessoa mais especial do Mundo, vai fazer das tripas-coração e não vai arrancar de nós um mísero sorriso sincero.
Mulheres - infelizmente - têm essa grande 'mania' de achar que só serão felizes se encontrarem alguém, se esse alguém jurar a ela amor eterno e eles viverem felizes para sempre.
Será que os sonhos de menina já não deveriam ter sido deixados para trás? 
Contos de fadas não existem no mundo real e o príncipe encantado vem com manias, defeitos, ciúmes, reclamações e contas para pagar!
Não, não faço campanha para que todos morram secos e sozinhos... Longe de mim! Respeito os sonhos e aspirações de todos, mas somos adultos e inteligentes o suficiente para saber que nem tudo são flores, pássaros, amores e que não há canções de desenhos da Disney, ao fundo para embalar nossas vidas!
Outro problema inerente à mulher: ela casa, não é plenamente feliz no casamento - porque deposita expectativas demais em alguém que não será capaz de retribuir - e achando que vai salvar seu casamento e também sentir-se completa, ela decide por bem, que será mãe.
Combinação bombástica: ilusões+casamento infeliz+gravidez.
Um filho não une um casal! Foi-se o tempo em que uma criança conseguia prender uma pessoa a outra; se o casamento vai mal, um filho vai afastar mais ainda, pois a mulher vai passar a dedicar 24h do seu tempo e do seu dia a criança e o homem não vai ter a atenção dela como antes, nunca mais!
Por isso, também, uma relação deve ser completamente estável, solidificada para receber uma criança.
O grande problema é que tentamos preencher um espaço que jamais será preenchido: o vazio da existência... Simples assim!
Viva sua vida sem pressa de nada, sem atropelar nada, pensando um pouco mais em você e no que você quer de verdade e naqueles que REALMENTE te querem bem... O restante se ajeita!
Sim, é possível ser feliz sem um parceiro (a); mas é impossível ser feliz sem estar bem consigo mesmo e sem ter o amor daqueles que valem a pena realmente - amigos e família, enfim - , aqueles que te fazem bem DE VERDADE e que nada esperam de você, além dos seus sorrisos!!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Distância


“A distância aproxima e fortalece os verdadeiros amores e faz cair por terra os leves entusiasmos.”
Célebre frase... De uma pessoa muito querida e muito inteligente, para dar início a presente reflexão.
Acredito que a tão temida distância tenha sido, ao longo do tempo, principal tema de reflexão – depois da saudade e do amor não correspondido – dos poetas, Mundo afora.
Mas por que a distância é algo que assusta tanto e que consegue acabar com tantos sonhos?
Imaginemos a seguinte situação: um casal se conhece, se entusiasma, o sentimento começa a surgir e eles esquecem de todo o resto, nada parece ser empecilho ( e realmente, nada é empecilho)... De repente, como se ambos acordassem de um sonho bom, deixam-se abater pela distância.
E é algo que vem com tanta força que, aos poucos, vai fazendo com que uma história linda, seja jogada fora antes mesmo de se concretizar e transforme-se em frustração.
Mas uma pergunta: Por que, essa mesma distância, aproxima tanto os amigos?
Afinal de contas, nada há de diferente na distância. Será que as bases desses sentimentos é que são diferentes – uma mais sólida e a outra menos?
Acredito que, quando tratamos de um relacionamento amoroso, existe muito mais do que o medo de ficar longe da pessoa que se ama; vai além somente da carência ou da necessidade de ter por perto a todo tempo essa mesma pessoa.. Acredito, na verdade, que tenha a ver com insegurança ou com medo de ter longe dos olhos esse alguém!
Insegurança e/ou falta de confiança em si mesmo e no outro. E se for assim, realmente nada consegue se sustentar por muito tempo!
Não adianta dizer que relacionamento a distância não existe ou que não aceita ou que não consegue... Quando algo tem que ser, não tem jeito, a distância vira um grão de areia!
Reflita, pense em quantas histórias felizes você já ouviu por aí, quantos finais felizes, de pessoas que durante um período (pelos mais diversos motivos), tiveram que manter um relacionamento assim, a distância. Exemplos não faltam.
Pode dar certo sim e dá certo quando há interesse de ambas as partes para que dê certo; e para além, quando há sentimento – real sentimento – envolvido e envolvendo essas duas pessoas.
A distância é, somente, mais um obstáculo, mais uma prova posta àqueles que se amam (e aqui falando de todas as formas de amor).
Se você desistir em qualquer obstáculo, nunca conseguirá ser feliz; se não tentar, nunca saberá o que poderia ter acontecido.
Fato é que, quando lutamos pelo que queremos, por mais difícil ou impossível que possa parecer, se lutarmos com garra e vontade, sem desanimar, a vida dá um jeito e coloca tudo no lugar.
Distância? Coisa insignificante! 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A você, Homem de Ferro

A gente se desentende, não concorda em algumas coisas, ele me olha torto às vezes, ele sempre diz que eu nunca ponho em prática as ideias que ele me dá e por termos personalidade forte, batemos de frente algumas vezes...


Mas sabe o que isso tudo quer dizer? AMOR!

Quando eu era criança e ele me olhava de cara feia, eu morria de medo e chorava desesperadamente (porque já sabia que eu derretia o coração dele quando chorava); a medida que eu fui crescendo e nosso diálogo foi se modificando, esse medo se transformou num respeito que não há como mensurar.

Aliás, ele sempre foi o meu herói, mesmo nos tempos de criança quando ele brigava comigo pelos gastos abusivos ou por começar a namorar cedo demais ou por usar short curto demais ou adorar usar decote desde muito nova ou por querer pintar o cabelo de loiro aos 8 anos de idade...

Ao longo do tempo, eu fui cada vez mais o respeitando, o admirando, correndo pro seu colo quando algo dava errado ou eu precisava de um conselho antes de tomar uma decisão (mesmo não colocando em prática, como ele mesmo diz e já foi citado anteriormente)...

Nunca imaginei que, com todo o ciúme que ele sempre sentiu de mim, eu o ouviria dizer: "Minha filha, você tem que namorar! Eu quero que você ganhe abraços masculinos que não sejam os meus"


Nunca imaginei conversar com ele tudo que converso e nem ter a confiança que tenho... Por diversas vezes, confidencio a ele coisas que não falo para mais ninguém, pois sei de sua sensibilidade na hora de exprimir a sua opinião, ainda mais quando o assunto em questão, me machuca de alguma maneira.

Jamais vou esquecer a maneira como ele me olhou nos momentos mais importantes da minha vida: quando passei para uma Faculdade Federal , quando consegui meu primeiro Estágio, quando consegui o primeiro emprego , quando comecei a dirigir e ele sentou no banco do carona, quando caminhamos juntos na praia e conversamos sobre o futuro (algo que ele sempre sonhou em fazer), quando ele entrou junto comigo na minha primeira casa pela primeira vez...

E também não vou esquecer o pesar no seu rosto quando ele diz: "Filha, se você tiver que ir pra longe atrás da sua realização profissional, eu vou entender. Vou sentir sua falta, mas é a sua vida! Se você quiser que eu vá junto, eu vou, mas se não, eu entenderei!"

Pra mim, ele é um homem de ferro (apesar de ser só sentimentos), de garra, de muitos sonhos e muitas conquistas, é meu alicerce...

Ele deixou de ser meu pai há muito tempo e passou a ser o meu melhor e maior amigo!

Eu sei bem o que tudo que eu escrevo causa nele, aliás sinto sua felicidade e orgulho quando lê o que eu escrevo... E sei que quando ele ler esse texto, não vai ser diferente!


Também sei que, ao final, ele vai chorar e vai dizer que eu sou boba por tê-lo feito chorar!

A gente ainda tem muito sonho para realizar juntos... Afinal de contas, eu ainda quero ver você brincar e ensinar coisa errada para os meus filhos.

Mas o que eu quero que você saiba e que não esqueça jamais, mesmo nos momentos de crise ou se eu estiver longe e não puder te ver todos os dias ou te ligar todos os dias, é que eu te amo demais! E mesmo que eu vá para longe, eu estarei sempre por perto em espírito!

Você é, sem dúvida nenhuma, o melhor pai do Mundo!
 
Agradeço por ter aceitado a escolha que eu fiz, quando escolhi ser sua filha e por ter contribuído para que eu me tornasse a pessoa que eu sou hoje!


Te amo, MEU HERÓI!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quando Chega a Hora

Começo com uma pergunta: você se sente forte o suficiente para amar alguém?
Acredito que essa pergunta deveria ser feita a cada início de relacionamento ou na fase mais inicial mesmo, quando o interesse começa a surgir.
Pecamos por sermos muito apressados, por querermos que tudo aconteça no nosso tempo, que seja para ontem...
Nada feito com pressa dá certo. Não dá certo porque você não se prepara para um sentimento que envolve tantas coisas, tanta doação e tanta intensidade.
Exato! É isso que o amor é: Intensidade!
O amor se diferencia de todos os outros sentimentos por conta disso... Afinal, diga, qual outro sentimento é vivido tão intensamente e envolve tantos outros sentimentos quanto, o já citado amor?
Sim, sei que somos seres humanos, passíveis de erros... Porém, não nos apaixonamos ou amamos alguém somente uma vez na vida.
Veja, amamos VERDADEIRAMENTE, somente uma vez; mas fazemos ensaios até que a pessoa certa chegue em nossas vidas.
O que não paramos para analisar, é nosso grau de maturidade na vida em geral... Não paramos para analisar tudo que já nos aconteceu antes, em outros relacionamentos e ainda, não fazemos um 'auto-questionamento', a fim de sabermos o que deve ser mudado, o que deve ser feito de maneira diferente. Afinal, sempre há o que mudar e o que melhorar!
Temos pressa, como já falado anteriormente... E temos muita pressa, queremos que a pessoa certa apareça num piscar de olhos, queremos encontrá-la na fila do pão ou na pracinha quando vamos passear com o cachorro...
Quem dita as regras da sua vida, não é você! Você pode até ter um certo controle da situação - e realmente o tem, afinal de contas, Deus nos deu livre arbítrio - porém, não controlamos completamente a situação; se controlássemos, escolheríamos quando nos apaixonaríamos, por quem nos apaixonaríamos e assim por diante.
Analisemos o quão complexa é uma relação a dois: vocês são duas pessoas diferentes, com realidades diferentes, criações e valores diferentes, pensam diferente em diversos sentidos... Uma das únicas coisas que vocês têm em comum, é a vontade de ficar juntos e construir algo juntos.
Se você não estiver maduro o suficiente, na primeira dificuldade, você desiste de tudo. 
Obviamente, as dificuldades virão! Afinal, vivemos num mundo de provas e sendo assim, passamos por bons e maus momentos. 
Os maus momentos existem (além de existirem para o amadurecimento de cada um), para testar os relacionamentos em geral! Nesse momento, se a compreensão não for enorme, o companheirismo e acima de tudo, o amadurecimento, joga-se tudo para o alto.
Sofrível, certamente! 
O que nos falta, é saber esperar pelo momento certo. O exercício da paciência, é algo extremamente difícil para todos nós.
Deus enxerga o seu coração e conhece a todos nós melhor do que nós mesmos. Ele sabe o momento certo de colocar a pessoa certa em nossos caminhos.
Não adianta querer atropelar o tempo, nem desesperar-se e muito menos gritar aos sete mares que não tem sorte no amor, somente porque todos os seus relacionamentos anteriores não deram certo: foram apenas ensaios!
Não deixe de acreditar em um sentimento tão bonito quanto esse. Em certos momentos, pode ser complicado, mas nem por isso deixe de acreditar que o amor existe e que chega para todos, de alguma forma.
Quando chega a hora, você simplesmente sabe. Seu coração é tocado de maneira diferente, os sentimentos são diferentes e você sente toda aquela intensidade, vontade... Mas mantem os pés no chão e sabe por quais caminhos deve seguir.
E então: você está pronto para amar alguém?

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Cravo não brigou com a Rosa


Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto.
Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".

Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. 
Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?

É Villa Lobos, cacete!

Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.

Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.

Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil. 
Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.

Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias o u coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.

Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado ? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.

Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão de chácara de baile infantil - de deficiente vertical . O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.

Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.

O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra putaqueopariu e o centroavante pereba tomar no olho do cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de Jesus, alegria dos homens, do velho Bach.

Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro funeral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".

Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. 
Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.

(Luiz Antônio Simas é Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História do ensino médio).

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Catástrofes Naturais

Quando somos mais jovens, sim ainda mais jovens do que somos hoje, temos tantas aspirações e sonhos e vontades e desejos...
Obviamente, dentre essas vontades e sonhos, encontra-se a vontade de apaixonar-se, de encontrar alguém e passar toda uma vida juntos; viver uma relação como era a dos nossos avós ou dos nossos pais ou até mesmo daqueles vizinhos que pareciam sempre ter visto passarinhos verdes todas as manhãs.
E quando falavam do amor com você, falavam maravilhas sobre ele: diziam que era especial, que o momento de encontro com a pessoa amada era mágico ou que ouviam-se sinos ao beijar alguém especial...
Eram tantas coisas e nós acreditávamos em tudo isso, fazíamos disso a nossa maior verdade e assim, alimentávamos ainda mais o sonho de conhecer o famoso ‘Príncipe Encantado’ (aqui falando das meninas).
As mulheres, em especial, sonham em encontrar um cara carinhoso, atencioso, bonito, que sempre as olhe como se fosse a primeira vez, que as conquiste todos os dias, a cada gesto e a cada palavra carinhosa...
Dia desses, uma amiga disse que procurava um cara hétero, rico, carinhoso, inteligente, fiel, companheiro, bonito e com pouco tempo de uso (além de tudo, viramos automóveis?).
Sim, ela busca o impossível!
Aí se encontra o grande erro do ser humano com relação ao amor: crescemos, mas não abandonamos nossos sonhos e ilusões de criança.
E não falo em ilusão de criança por achar que nenhum homem possa ter todas essas qualidades. Mas porque passamos a vida procurando por alguém que não existe, porque a pessoa perfeita, aquela que existe nos nossos sonhos, não existe!
O amor não é tudo aquilo que nos contavam quando éramos crianças, mas em nosso âmago, ainda esperamos que ele seja daquela maneira que nossas avós nos falavam.
Acredito que maior ainda do que não abandonarmos nossos sonhos de criança, seja o fato de depositarmos a nossa felicidade em outra pessoa; a única pessoa capaz de fazer você feliz, é você mesmo.
Acabamos criando expectativas demais e depositando em alguém, que por diversas vezes, não está preparado para tal e nos frustramos.
O amor (não falo aqui de todo tipo de amor), por si só já é um desastre: um desastre de sentimentos, principalmente. E por conta disso, tudo que o envolve, acaba tornando-se um desastre ainda maior, formando assim a conhecida ‘bola de neve’.
Fato é, que quando nos apaixonamos por alguém, não estamos maduros o suficiente, mas acreditamos estar preparados para toda aquela chuva de sentimentos e de problemas que vêm juntamente com o relacionamento.
De repente, vemos tudo dar errado, sem saber que caminho seguir, sem saber onde pedir ajuda e nos vemos ‘tentando fazer dar certo’.
Ora, se você chegou na fase de ‘tentar fazer dar certo’, é a hora de pular fora dessa canoa furada. E aí mora nossa falta de perspicácia.
Muitas vezes, relacionamentos que costumavam ser ótimos, começam a naufragar e as duas pessoas envolvidas, ficam ‘tentando fazer dar certo’ e acabam tornando-se os piores inimigos do mundo.
Será que se, existisse esse olhar diferente e essas pessoas dissessem: ‘Esse é o meu limite! Daqui eu não sigo mais’, o desastre pudesse ser menor?
Talvez sim! Mas só saberíamos se pudéssemos colocar isso em prática e na verdade, não podemos.
E não podemos não por sermos incapazes, mas porque não acreditamos que podemos ser felizes sozinhos.
A melhor pessoa do mundo pra você, é você mesmo e ainda assim, em alguns momentos você se trai, se engana, se negligencia, por que, então, outra pessoa que não tem ligação nenhuma com você, faria diferente?
O amor sempre vai ferir, sempre vai enganar, sempre vai fazer sofrer, em um momento ou outro. Resta saber conviver com isso ou então, esquecer que esse sentimento existe e aprender a viver só.
Reclamar, esbravejar e dizer que não tem sorte, não vai levar ninguém a um caminho diferente, só vai fazer com que as pessoas cansem te ouvir e se afastem.
Você só vai traçar um caminho diferente, se quiser que seja diferente!
Aprender a defender-se é o que devemos fazer; armar-se contra o que não nos faz bem e contra quem não nos faz bem.
Como dizia Renato Russo: “Sou tão cínico às vezes, mas o tempo todo estou tentando me defender.”
Esse é o retrato de alguém que foi machucado, ferido, magoado, mas que aprendeu a conviver com a dor e usou as pedras do caminho para construir uma muralha intransponível.
Não digo fechar-se para o mundo, mas aprender a lidar com sentimentos que, na verdade, pouco conhecemos.
Armar-se, defender-se, conhecer-se... Isso não impedirá que furacões, terremotos e tsunamis passem pela sua vida, mas fará com que sejam bem menos devastadores.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tempos de Mudança

Há alguns dias atrás, eu conversava com uma senhora e falávamos sobre mudanças; ela me falava sobre a necessidade que o ser humano tem de mudar sempre alguma coisa na vida e eu perguntei a ela o que ela mudaria na vida dela, nesse momento.
Ela riu e disse que não mudaria nada, porque na idade dela, não há o que mudar; disse ainda que a idade das mudanças, é a minha, após isso, ficamos somente esperando as coisas acontecerem com resignação.
Por que essa certeza de que nada pode mudar após um certo tempo? Existe idade para mudar?
E por que essa eterna busca pelo novo? Será que precisamos mesmo de mudanças constantes?
O que fica aparente é que nunca estamos realmente satisfeitos ou felizes com o que temos em nossas vidas e estamos sempre procurando algo que nos leve em uma nova direção.
Não me parece ser insatisfação ou infelicidade, como queiram... Vejo nossas vidas como livros, onde os capítulos são escritos a medida que escolhemos o caminho certo a seguir, para onde ir, que mudanças fazer!
Em alguns momentos, achamos que não estamos preparados para mudanças, em outros precisamos delas de maneira quase absurda.
O medo de mudar, nada mais é, do que medo do desconhecido. Afinal de contas, o que existe depois da curva?
Existem momentos nas nossas vidas, em que ficamos muito presos ao passado, questionando, analisando, pensando sobre o que teria acontecido, se tivéssemos agido de outra maneira. Ficamos mergulhados durante longos períodos em nosso passado, até que em algum momento, percebemos que é hora de seguir em frente e fazer tudo diferente; Eis aí, a primeira e mais importante mudança da vida: a mudança interior.
De repente percebemos, que passamos tanto tempo presos a uma lembrança passada e as pessoas mudaram, as paisagens mudaram, as circunstâncias mudaram... E então, você decide fazer uma análise íntima e percebe, que você também mudou, mesmo que só um pouco. 
A partir disso, você decide fazer uma revolução na sua vida e vê que o céu é o limite para tantas coisas que você imagina fazer e quer fazer; Você, então, percebe quanto tempo perdeu e se dá conta que a mudança é uma lei natural da vida e quem fica olhando somente para o passado ou preocupado com o presente, acaba sendo esquecido no futuro.
Oportunidades perdidas? Várias!
Novas oportunidades? Milhares!
Basta abrir os olhos para elas... Oportunidades sempre existirão, basta estarmos atentos a elas.
A partir dessa reforma íntima, começamos a querer mudar tudo a nossa volta... Então, mude!
Mude os móveis de lugar, mude a cor do cabelo, mude a cor do esmalte, mude sua cor preferida, mude de amigos se os que você tem não te fazem bem, mude de cidade se for conveniente, mude!
Jogue fora o que já não te serve mais... Abra o armário e veja quanta coisa você guardou e que não precisa!
Abra, principalmente, o armário do seu coração e livre-se de todos os sentimentos que já não são mais convenientes a sua nova forma de viver e de enxergar o mundo!
Temos que parar de ter medo da vida, parar de achar que há idade para tudo, parar de achar que as pessoas vão nos olhar diferente se fizermos algo que a sociedade julga errado...
Como já dizia Platão: "A real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz."
As mudanças são a luz das nossas vidas, são elas que anunciam novos tempos, tempos melhores, tempos de renovação...
Esqueça o que passou, apague o caso antigo para que você possa escrever um novo caso. 
Para ser compreendida, a vida deve ser vivida olhando, sim o que passou, mas só pode ser vivida olhando-se para frente.
O livro da vida é enorme, mas se você não se desvincular de seu passado, faltarão páginas para você escrever seu futuro!
Mude! Seja lá o que for, mas mude.
Quanto aquela senhora citada no início do texto, após horas de conversa, eu a convenci de que nunca era tarde demais para mudar e para começar um novo projeto ou para fazer novos planos. A partir da nossa conversa, ela decidiu matricular-se em um curso de informática, dizendo que pretendia atualizar-se e que queria voltar a estudar e quem sabe prestar vestibular.
O que vale em nossas vidas, não é o ponto de partida ou o ponto de chegada, mas a caminhada, as escolhas que fazemos e a sabedoria para tomarmos um novo rumo em meio a sombrias aflições, pois das nuvens mais negras, caem águas límpidas e fecundas.