terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Diferente

Pensando e analisando bem, às vezes acho que sou extremamente diferente (até estranha, por assim dizer).
Quero e não quero; gosto e desgosto na mesma velocidade; sou a pessoa mais paciente agora e no momento seguinte, não tenho paciência nenhuma...
Não sei ser ultra romântica, assim como todas as meninas; eu nunca soube ser assim, nunca sonhei com casamento e nem com príncipe encantado, afinal, ele não existe!
Todas as meninas que eu conheço, passaram a vida sonhando com o casamento, casamento de contos de fadas, pensando em como e onde seria a cerimônia e a festa, querendo que pétalas de rosas caíssem do teto, pensando no vestido de noiva... Enquanto eu só ouvia e achava graça nos planos delas.
Ainda hoje, vejo amigas desesperadas, achando que a idade de casar já está passando.
Espera aí! Foi-se o tempo em que as mulheres tinham idade para casar, se não corriam o risco de ficarem sozinhas por serem consideradas muito velhas.
Quando eu digo que não sonho com casamento, que nunca olhei vestidos de noiva e sonhei com o dia em que me casaria, todos me olham torto, me olham estranho. 
O que? Talvez eu só seja diferente.
Não quero um marido e filhos... Quero filhos, um apartamento e um Yorkshire; eu deixo o marido para aquelas que sonham com um.
Eu me tornei extremamente independente, me acostumei a ter o meu canto, as minhas coisas, a minha vida... Meus amigos e minha família me bastam, eu não preciso de mais ninguém, além deles, para me sentir completa.
Eu gosto de ser sozinha e quando digo 'sozinha', digo sem um 'companheiro'. Até porque ter um namorado, noivo, marido, não significa ter companhia. Reflita!
Tenho a minha rotina, não gosto de me sentir presa a nada, nem a ninguém e nem de me sentir controlada...
Nos finais de semana, eu gosto de descansar, de dormir, de ir passar o final de semana com a minha tia, gosto de planejar viagens e de sonhar em conhecer lugares, ver cores, sentir cheiros diferentes, conhecer pessoas novas, dançar a noite toda... E nesses planos, não incluo ninguém além de família e amigos.
Gosto de acordar sábado sabendo que vou fazer o que EU BEM ENTENDER, sem ter que achar paciência e espaço para um namorado/noivo/marido, que seja.
Não gosto que atrapalhem meus sonhos e nem que digam: "Não! Você não vai!"...
Se eu ouvir isso, eu vou e não volto mais. Nem meus pais faziam isso, por que eu deixaria outro alguém fazer?
Gosto de atenção, de carinho, de companheirismo, mas não gosto de grude! Não nasci para me dedicar 24h a um relacionamento; Me desculpe!
Me interiorizei, eu sei. Pode ser mecanismo de defesa, sim, mas pode também não ser; talvez eu só seja muito pé no chão. Sou feliz assim, desse jeito.
Tentar me vencer pelo cansaço, só vai me fazer cansar da sua pessoa. Por favor, não me proponha compromisso, porque o meu compromisso é comigo e isso inclui Deus, família, amigos, Faculdade e Trabalho. SOMENTE!
Casos passageiros... Eu te peço, não se apaixone, não serei capaz de corresponder. 
Não gosto de fazer ninguém sofrer por eu ser (ou estar) assim, dessa maneira.
Pode ser que eu esteja passando por uma transformação ou que não tenha me apaixonado verdadeiramente ou ainda, posso não ter conhecido alguém que mexa comigo de verdade...
Pode ser que isso tudo mude, mas por hora, como já dizia o poeta: "Sou minha, só minha e não de quem quiser".

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mudanças e relacionamentos

Foi-se o tempo em que somente o homem tinha medo da famosa "DR"; que aliás é a nova definição das sutis conversas que os casais costumam ter quando algo não vai bem.
Pois bem, não é mais um privilégio masculino sentir pavor ou qualquer coisa do tipo ao ouvir: "Precisamos conversar."
Afinal de contas, para que serve a discussão da relação? Qual o sentido disso?
Com essa inversão de papéis que podemos observar nitidamente, conseguimos ver o quanto o ser humano se tornou carente, inventido e muitas vezes, chato.
Somos extremamente inseguros e parece que estamos nos tornando cada vez mais, confiamos cada vez menos no que o outro diz sentir por nós!
A DR, geralmente acontece baseada em suposições, em ciúmes, ou seja, fruto da insegurança:
"Te vi conversando com um cara na saída da academia".
E desde quando conversar com alguém se tornou crime? Ou será que, em academias, só se pode fazer amizade com pessoas do mesmo sexo? E por que, ainda, espionar a pessoa que você ama, tomar conta de cada passo que ele (ela) dá, não vai fazer com que ele (ela) goste mais de você ou ache que você é o máximo só porque seu ciúme é desmedido. 
Além disso, quando você sente ciúme de alguém que você gosta, com uma terceira pessoa, você acaba por alarmar o seu amado ou amada, para a existência dessa terceira pessoa, pessoa na qual, possivelmente ele(ela), nunca tinha prestado atenção antes.
A internet foi a pior e a melhor invenção para o distanciamento e a aproximação de pessoas, ao mesmo tempo e nessa mesma ordem.
Antes, quando queríamos presentear alguém, escrevíamos uma carta e entregávamos com o cheiro do nosso perfume para que a outra pessoa nunca esquecesse do nosso cheiro, que é algo extremamente marcante em um relacionamento; hoje, escrevemos um depoimento no Orkut ou um e-mail; Quando precisávamos conversar costumava ser olho no olho; hoje é no msn ou no Facebook.
Como saber quanto sentimento há envolvido, realmente, em uma conversa on line?
Até as DR's são uma invenção da modernidade: não se discute mais pessoalmente, só se discute por msn atualmente; afinal de contas, dá muito trabalho ir na casa da pessoa que você diz amar, ainda mais para discutir!
Os relacionamentos costumavam ser mais calorosos exatamente por serem mais reais e davam mais certo porque era menor a quantidade de pessoas que sabiam sobre o que acontecia em nossos relacionamentos.
Hoje, damos o direito a qualquer pessoa de dar opinião no nosso relacionamento, porque mostramos e falamos dele para todo mundo através da internet.
Quando será que a gente vai aprender que a inveja existe sim, que as pessoas que querem a infelicidade alheia existem, sim? E quando, principalmente, vamos voltar a ter relacionamentos mais reais?
Grande parte das nossas inseguranças seriam sanadas se voltássemos a amar e a respeitar como antes, se voltássemos a ser mais presentes nas vidas das pessoas que amamos.
Temos que aprender a confiar na pessoa que está ao nosso lado e isso só vai acontecer quando os relacionamentos voltarem a ser templos onde somente, duas pessoas possam entrar, a entrada de outras pessoas seria proibida por ser solo sagrado.
As divergências vão sempre existir, mas que voltem a ser divergências e que sejam resolvidas com conversas, olho no olho; que não sejam somente DR's por motivos tolos, sem sentido. Para isso, respeite o espaço do outro, vocês são dois, não um só; cada um de vocês tem sua vida, seus amigos, suas atividades... Amar alguém, não significa viver a vida do outro. Possessão não leva relacionamento nenhum adiante,
Para finalizar: Discutir não soma, só subtrai!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Campos de Ouro

Você se lembrará de mim quando o ventos do oeste se moverem
Entre os campos de cevada
Você irá esquecer o sol em seu céu ciumento
Como nós andamos nos campos de ouro
Então ela levou seu amor para contemplar um pouco
Sobre os campos de cevada
Em seus braços ela cai como seus cabelos caem
Entre os campos de ouro

Você ficará comigo, você será o meu amor
Entre os campos de cevada?
Nós esqueceremos do sol em seu céu ciumento
Como nós mentimos nos campos de ouro
Veja o vento oeste se movendo como um amante então
Sobre os campos de cevada
Sinta seu corpo se elevar quando você beija sua boca
Entre os campos de ouro

Eu nunca fiz promessas passageiras
E tiveram algumas que eu não cumpri
Mas eu prometo que nos dias que restam
Nós andaremos em campos de ouro

Muitos anos se passaram desde aquele verão
Entre os campos de cevada
Veja as crianças correndo, como o sol se põe
Entre os campos de ouro
Você se lembrará de mim quando o vento oeste se mover
Sobre os campos de cevada
Você pode dizer ao sol em seu céu ciumento
Quando nós andamos nos campos de ouro

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dê o Melhor de Si

Laços... De afeto, de carinho, de amor ou simplesmente ligações que não conseguimos compreender, aquela afinidade que a gente sente e não consegue explicar de maneira nenhuma!
Nossas ligações são 'combinadas', muito antes dessa existência; somos uma eterna família espiritual.
Mas por que, mesmo com tantos laços que nos prendem uns aos outros, ainda assim nos tornamos tão egoístas, por que nos consideramos tão auto suficientes, por que sempre achamos que não precisamos de ninguém, por que só olhamos pro nosso umbigo, pros nossos problemas, pra nossa vida?
As pessoas a nossa volta, precisam de nós... E precisam de nós A TODO TEMPO! Por que a gente não consegue se doar quando as pessoas precisam? Não custa nada... E por diversas vezes, as pessoas precisam de nós não financeiramente falando... Elas precisam de um colo, de uma palavra amiga, de carinho, precisam ouvir: "vai ficar tudo bem", ouvir "estou do seu lado, eu te amo".
Por incrível que pareça, as crianças são mais sensíveis e inteligentes, nesse ponto, do que nós; alguma vez já chorou na frente de uma criança ou demonstrou estar triste ou preocupado?
Ela tenta te confortar, da maneira que ela entende por conforto e carinho, mas tenta. Ela senta ao seu lado e na inocência dela, pergunta o que houve e te pede pra não ficar triste e não chorar.
Então, se somos assim quando crianças, por que isso morre dentro de nós a medida que vamos entrando na vida adulta? O que nos transforma em pessoas 'piores'?
O mundo é cruel? Muitas vezes, é sim! Mas não é por esse motivo que devemos nos tornar cruéis, secos, insensíveis aos problemas dos outros.
Mais uma vez, eu digo, não precisamos fazer 'das tripas, coração' para ver uma pessoa feliz. A felicidade se encontra nas pequenas coisas da vida, não é difícil fazer uma pessoa sorrir.
Ajudar alguém, estender a mão, é praticar caridade! E, de novo, não é caridade financeira, não. É simplesmente, a prática do bem. "Fora da caridade, não há salvação".
Onde está indo parar o nosso lado humano?
Não estamos voltando a ser animais, porque até os animais desenvolvem carinho e fidelidade uns pelos outros e até mesmo por nós. Conhece animais mais companheiros e fiéis do que nossos bichos de estimação?
Temos que resgatar dentro de nós a nossa humanidade... Não somos somente razão, somos emoção também. E não temos que ter vergonha de ser emoção, não temos que ter medo de ser somente sentimentos às vezes.
As pessoas vêm e vão, se aproximam quando precisam de nós e depois vão embora. A vida é assim...
Mas não temos que ficar decepcionados com ninguém e nem achar que as pessoas somente nos 'usam'; ao invés disso, temos que acreditar que aquela pessoa se aproximou pelo período necessário para que pudéssemos ajudá-la de alguma maneira e que, depois disso, ela continuou seu caminho, sua missão e que nós contribuímos para algum tipo de mudança nela ou na vida dela. 
E se um dia ela voltar e precisar novamente de nós? Ajudemos novamente!
E se antes de partir, ela nos feriu e agora que está precisando novamente, ela se aproxima novamente? Estendamos a mão novamente...
“Não te digo até sete vezes, mas até setenta e sete vezes sete” (Mateus 18, 21-19,1). 
Exatamente... Perdoar! Não somente sete vezes, setenta vezes sete!
Por que esquecemos de tudo isso?
Temos que amar as pessoas enquanto elas estão ao nosso lado, respeitar, ouvir, fazer o melhor que pudermos.. Afinal de contas, em algum momento, essa pessoa vai partir; e nesse momento o que vamos pensar? Eu poderia ter feito mais? - E com isso, sentir remorso; ou vamos pensar: Eu fiz tudo que eu podia e por diversas vezes, o que não podia para ajudar, sei que contribuí o máximo que pude para a felicidade e o bem-estar dessa pessoa! - Dei o melhor que existia dentro de mim!
Olhe pra dentro... Todos nós temos coisas maravilhosas guardadas em nosso interior. Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus! E se Ele é todo benevolência, amor, enfim, o que há de bom nesse Mundo, então temos tudo isso dentro de nós também.
Não é difícil, somos capazes e sabemos disso.
"Quando deixamos de fazer o bem, estamos automaticamente, praticando o mal".





quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Segunda Entevista do Bandido

"Em maio de 2006, tu me entrevistou... Estou lembrando da tua cara... Saiu até no 'Harper's Magazine... em inglês...
Agora estão me mudando de Catanduvas, acho que para Roraima, sei lá. Mas, creia que eu não ordenei ataque algum, que não sou burro. Você acha que eu ia queimar ônibus e jogar a população contra nós? Isso é coisa de traficas idiotas... Na época, você me perguntou como eu entrei no crime e eu te disse que era invisível desde menino... Vocês nunca me olharam durante décadas... E olha que era mole resolver o problema a miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução é que nunca vinha... O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos de barracos ou nas músicas românticas sobre a 'beleza dos morros ao amanhecer', essas coisas... Os policiais eram considerados bandidos e nós éramos os heróis, lembra? 'Vítimas da miséria.' É, mas quem fez o crime crescer não foi a miséria, foi o capitalismo, cara. Com a multinacional do pó, ficamos ricos e as armas chegaram... Aí começou o 'que horror!', 'que medo!' entre vocês do asfalto. Nós fomos só o início tardio de vossa consciência social..."
"Como assim?"
"Nós somos filhos tortos do crescimento econômico; e vocês também. Nossos enriquecimento e virulência obrigaram vocês a se modernizarem na repressão. De certa forma, vocês aprenderam conosco, numa espécie de 'formação reativa dialética'. Viu como sou culto?... Li centenas de livros em Catanduvas."
"Sim, mas você que viveu na barra-pesada, me diga, qual é a solução?"
"Vocês só chegam a algum sucesso se desistirem de defender a 'normalidade'. Olha aqui, mano, não há mais solução! A própria ideia de 'solução' já é um equivoco pequeno-burguês... rá rá... é filosoficamente uma esperança vã! Mas vou ser franco contigo, na boa, na moral: estamos todos no centro do 'insolúvel'. Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Só que nós sabemos que não há saída. Só a morte ou a merda. E nós já trabalhamos dentro delas. A morte para vocês é um drama cristão numa cama. A morte para nós é o 'presunto' diário, desovado na vala... Vocês intelectuais não falavam em 'luta de classes', em 'seja marginal, seja herói?' Pois é: somos nós! Rá rá...
"Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivada na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro 'Alien' escondido nas brechas da cidade. Você não ouve as gravações feitas 'com autorização da Justiça'? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. Há uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, celulares, internet, armas modernas. É a merda dos chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação social, são fungos de um grande erro sujo, O que mudou nas periferias?
"Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$ 40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel. Quem vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes.
"Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e nossos produtos vêm de fora; somos globais.
"Você acha que o caminho é este?"
"Vocês estão fazendo uma crítica da própria incompetência. Esse negócio das UPPs é muito bom. É a primeira coisa imaginosa que apareceu. Mas, se não houver uma reforma geral das instituições, as UPPs podem morrer na praia. Elas mantêm o paciente vivo, mas não combatem a doença original.
"Tem de haver uma reforma radical do processo penal do país, tem de haver comunicação e inteligência entre as políticas municipais, estaduais e federais, programas sociais e educação. Tudo bem... agora melhorou muito; aumentou o pragmatismo e a eficiência. N´´os sempre estivemos no ataque; vocês, na defesa. Agora tudo se inverteu. Parabéns.
"A repressão aprendeu muito conosco. A polícia e a política aprenderam com o excesso de horrores que já produzimos nos últimos 30 anos, aprenderam com os temores da população, com os ônibus pegando fogo, com as cabeças cortadas, com os microondas toraando os X-9s, aprenderam que não há mais solução e sim 'processo', e por isso vocês estão ganhando terreno. Parabéns. Mas agora, como se diz no Exército, está na hora do 'aproveitamento do êxito'. Não adianta tomar o morro e depois sair, não adianta matar, celebrar vitórias, não adianta nada se..."
"Sim, o que devem fazer as forças policiais?"
"Vou dar um toque, mesmo contra mim. Escreve aí: pequem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem general, tem até ex-presidente do Paraguai nas paradas da cocaína e armas.
"Isso não é assunto para a polícia, não. Isso é uma questão de Estado, é tão importante quanto impedir o desmatamento. Está havendo uma mudança psicológica na população. Faz parte do crescimento econômico. Não é bom para o mercado uma zorra como a nossa. A produção do mundo está nos obrigando à modernização e à democracia. Eu estou falando como um cientista político porque sou um cientista sobre mim mesmo - rá rá... Meu destino está traçado, o sangue está grudado em mim, mas o destino de vocês também está. Eu vejo hoje muito mais do que via, mas vocês também têm de mudar. Estou lendo o Klausewitz - 'Sobre a guerra' - e digo que vocês não podem esperar uma vitória total, solução, a paz em Ipanema e o mundo voltando atrás. Nunca mais.
"É como no Oriente Médio, com os homens-bomba. Nunca haverá vitória clássica. Dá para melhorar, urbanizar, civilizar, mas o mundo hoje tem um preço trágico que todos terão que pagar. Todos vamos conviver com a própria miséria.
"De qualquer forma, parabéns... Por linhas tortas chegaram lá. A História não é uma linha reta. É um zigue-zague.
"Vocês nunca terão uma solução completa, mas, ao menos, já conheceram o problema...
"Vamos lá... Vou vazar para Roraima... mas, olha, cara: não há mais segurança máxima na vida...
"Bye, Bye, Catanduvas..."

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sonhos e Frustrações - Guilherme dos Santos

Quando somos crianças, nos é dito que existe uma pessoa especial no mundo para cada um de nós.
Não entendemos muito bem quando nos falam isso, afinal, somos crianças e nem acreditamos no amor, sequer o conhecemos, para falar a verdade.
E com isso, vamos vivendo. E a medida que a vida vai passando, vão aparecendo pessoas, amores, amigos...
De repente, você se pega encantado com alguém. Aquele alguém, que é tudo que você sempre sonhou - pelo menos aparentemente - E você constrói sonhos a volta daquela pessoa.
Mas as coisas começam a dar errado e você começa a se perguntar onde foi parar aquela pessoa pela qual você havia se apaixonado; será que ela ainda existe em algum lugar?
Quando isso acontece, você promete a si mesmo, que nunca mais vai se apaixonar por ninguém, que nunca mais vai olhar para ninguém da mesma maneira, que você vai "curtir a sua vida" o máximo que puder. E nesse momento, os amigos são imprescindíveis.
E no meio desses amigos, você encontra uma amiga que está passando pela mesma situação que você, ela acabou de se decepcionar e está na mesma sintonia que você, querendo sair, curtir a vida e te incentiva a viver, dizendo que "a melhor vingança, é ser feliz".
E você vai com ela. Vai vivendo, vai se divertindo, vai conhecendo pessoas novas e vai se recuperando daquela surra que levou da pessoa que você amava.
E quando você imagina que está completamente vacinado em relação ao amor, você se pega apaixonado novamente. Mas você para e pensa: Será que não é perigoso? Será que não é ousado demais?
Você encontrou a pessoa certa e ela esteve sempre ali, ao seu lado; te ajudando, te dando força, sorrindo para você e fazendo você se sentir bem nos piores momentos.
Porém, VOCÊ encontrou a pessoa certa, mas ELA não encontrou a pessoa certa para ela.
Vocês sempre se perdem um do outro. Ou será que em algum momento, vocês realmente se encontraram?
Nesse momento, pensamos em desistir a todo o tempo, afinal de contas, você nunca investiu muito tempo em alguma coisa: se não desse certo, você simplesmente seguia em frente.
Mas algo naquela pessoa, especificamente, não deixa você se afastar, não deixa você desistir, não deixa você ir embora e seguir seu caminho em paz.
Ela faz uma bagunça enorme no seu coração e na sua vida e você deixa. Deixa não porque ficou bobo ou idiota, mas porque o sorriso dela, é o que ilumina a sua vida, o que faz você feliz, o que faz você "acreditar que a vida pode ser maravilhosa."
Você quer mostrar para ela que você pode ser feliz com outro alguém, quando na verdade, você não pode. Só ela te completa.
Você tem medo de estar com outra pessoa pensando nela e tem medo de perdê-la de vez se estiver com outra pessoa.
Você fica longe, se muda até para outro Estado ou País se for preciso e mesmo assim, nas esquinas, você vê sempre o rosto dela.
Os seus sonhos com relação a ela são tantos, você constrói um castelo para que lá, possa habitar a mais linda Princesa, daquelas dos sonhos infantis. Mas para ela, você não passa de um sapo ou não passa do conselheiro da Corte.
Nesse momento, você olha para trás e vê que realmente aquilo que havia sido dito a você sobre a pessoa certa, é verdade. Só que nem sempre, você é a pessoa certa para a pessoa que você ama.
E mais uma vez, você se encontra sofrendo, duvidando, tendo que escolher um caminho...
O que fazer a partir daqui? Essa é a principal pergunta. Mas dessa vez, não é ela que vai me dar a resposta; então, quem o fará?

Guilherme dos Santos