quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Município da Fantasia


Existe Um lugar na Região dos Lagos onde vivemos uma verdadeira estória de contos de fadas.
O nome deste município é RIO DAS OSTRAS.
Os orgãos governamentais do município veiculam na mídia que aqui é lugar de gente feliz e que se governa com responsabilidade;
Em Rio das Ostras tudo parece perfeito  mas é apenas maquiagem.
Vejamos os fatos:
ÁREA DA SAÚDE:
- O hospital municipal tem boa aparência externa, porém, faltam médicos das mais diferentes especialidades. Os outros profissionais estão optando por desligarem-se do hospital por falta de condições mínimas de trabalho;
- No pronto socorro municipal as condições são ainda piores: faltam médicos, enfermeiros e medicamentos para os doentes. Faltam lençóis para as camas.
As camas estão sendo cobertas com um tecido sintético ( TNT ) devido á falta de lençóis;
-  Foram recebidas do governo do estado mais 5 ambulâncias,porém, não há equipe de suporte suficiente para as mesmas ; faltam motoristas,enfermeiros e motociclistas para o pronto atendimento á população;
- Nos postos de atendimento dos bairros a situação é ainda mais crítica, pois, faltam tanto profissionais quanto medicamentos para o atendimento á população;
- O município tem inúmeros casos de tuberculose e isto não é informado à população;
- Existem também inúmeros casos de dengue no município e faltam ações efetivas para eliminarem os focos de mosquitos: existem muitos terrenos vazios sem limpeza das áreas e as ruas estão cheias de mato;
- Os serviços de varreduras de ruas só ocorrem com frequencia nos bairros do centro;
- A população quadruplicou de 2006 para 2010 passando de 25 mil habitantes para mais de 100 mil habitantes e a coleta de lixo que antes era diária passou a ocorrer em dias alternados, além de não haver mais coleta de lixo nos finais de semana.

 ÁREA DA EDUCAÇÃO:
- Existe uma Faculdade Federal no Município ( UFF ) com mais de  1200 estudantes divididos em apenas 12 salas de aula. Parte dessas salas são conteiners adaptados e transformados em salas de aula. Esta situação já é antiga, pois a prefeitura não repassa a  verba necessária à sua contrapartida para a construção de novas salas;
- Os professores bolsistas não estão mais comparecendo à Universidade e os demais funcionários das áreas administrativas, também pretendem parar, pois meses a Prefeitura deixou de repassar a verba para pagamentos dos salários destes profissionais;
- O município deveria reconhecer a importância desta Universidade para o desenvolvimento de Rio das Ostras, pois, foi devido a existência desta Universidade que muitas famílias e novos profissionais vieram residir em nossa cidade;
- A prefeitura não disponibiliza vagas de estágios suficientes para o desenvolvimento profissional desses estudantes. Há que se registrar que neste município os estágios são não-remunerados, apesar de existir  uma lei determinando que os mesmos sejam remunerados;
- Em dias de chuva fica impraticável o acesso aquela Universidade: a rua é de terra e com o volume de veículos transitando a situação torna-se crítica;
Devemos ressaltar que outras ruas próximas á universidade e que são totalmente residenciais já possuem asfalto e rede de esgotos;
- Os alunos ficam expostos a violências e assaltos principalmente á noite, pois não há policiamento ostensivo para protege-los e a iluminação pública no entorno da Universidade é insuficiente;
- A travessia da Amaral Peixoto em frente á faculdade é perigosíssima, pois o fluxo de veículos é intenso. Os alunos são obrigados a se aventurarem atravessando correndo a avenida, visto que não existe um sinal de transito naquele local para tornar este cruzamento mais seguro.

ÁREA DA SEGURANÇA PÚBLICA :
- O numero de casos de estupro é elevadíssimo: somos o 4º município em numero de casos de estupros no nosso estado;
- Os casos de assaltos a bancos, residências e transeuntes tornaram-se uma rotina em nosso município sem que ações efetivas sejam tomadas para combate-los;
- Apesar de sermos um município com mais de 100 mil habitantes não temos em nossa cidade nem um batalhão da Polícia Militar e nem um quartel do Corpo de Bombeiros;
- Temos conhecimento de vários casos de desova de corpos no bairro Mariléia  mas nada é feito para coibir tais fatos.

ÁREA DE INFRA ESTRUTURA :
- A rua da orla da praia no trecho entre a Praia da Tartaruga e a praça principal está há mais de 5 anos para ser asfaltada e o trabalho não é concluído. Da mesma forma a avenida da orla da Praia de Costa Azul no trecho entre o emissário submarino e a Lagoa da Coca-Cola está também há mais de 5 anos aguardando a chegada do asfalto.
- O Bairro Operário fica praticamente submerso quando chove forte apesar de promessas de campanha de que os alagamentos acabariam naquele bairro;
- A ligação entre Rio das Ostras e Macaé está piorando a cada dia devido ao aumento do fluxo de veículos. A duplicação da Rodovia Amaral Peixoto na ligação dos dois municípios não sai do papel, apesar da existência de verba estadual já aprovada para duplicação daquele trecho da rodovia.

A PEERGUNTA QUE FICA É : PORQUE NA DA DISSO É VEICULADO NA MÍDIA ?
A resposta é muito simples : TODA A MÍDIA LOCAL É CONTROLADA PELA PREFEITURA.
A rádio local só relata as boas notícias;
Os 2 jornais do município só podem dar notícias positivas.
Tudo isso para que os visitantes tenham a imagem de que este município é maravilhoso e que tudo aqui é perfeito.
ATÉ QUANDO TEREMOS QUE CONVIVER COM ESTA FARSA ?
Precisamos de um governo municipal sério e responsável para que os problemas de nosso município possam ser efetivamente eliminados e que possamos viver em paz e com a qualidade de vida que hoje existe apenas nas propagandas de marketing veiculadas na mídia oficial do município.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Inserção do Idoso na Sociedade

Passamos nossas vidas trabalhando, nos dedicando ao mercado de trabalho, enfim, e contribuindo com nosso trabalho para uma sociedade melhor, pensando assim, no bem-estar coletivo, porém, pensando, também em nosso bem-estar individual, quando pensamos em ter uma ‘velhice’ confortável e sem preocupações.
A realidade que encontramos ao chegarmos à Terceira Idade, é bem diferente daquela que imaginamos ao longo de nossas vidas, mesmo para idosos que encontram-se em uma situação de vida um pouco mais favorável.
Segundo o IBGE, em 2010 10% da população era composta por idosos e a expectativa de vida no Brasil, chega a 73,4 anos.
Em 1980, a realidade era bem diferente, quando os idosos eram apenas 6% da população e a expectativa de vida, não ultrapassava os 62,6 anos.
Em 2020, ainda segundo o IBGE, a população idosa será de 15% da população e a expectativa de vida chegará aos 81,3 anos.
Esse estudo mostra que a partir de 2020 a pirâmide se inverterá, ou seja, ao invés de encontrarmos mais jovens na sociedade, como era o caso em 1980, encontraremos mais pessoas de meia idade e idosos.
Porém, o que temos feito atualmente para que nossa sociedade em geral, esteja preparada para uma população de maioria idosos?
O Estatuto do Idoso foi promulgado em Outubro de 2003, sob a Lei n°10.741 e dispunha sobre os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, assegurando direitos às pessoas com idade maior ou igual a 60 anos.
Mas hoje, 8 anos após a criação do Estatuto do Idoso, o que é posto em prática e o que pensa, realmente, o idoso sobre a sua situação e sobre seu lugar na sociedade?
A saúde é um ponto que preocupa a todos, independente de serem idosos.
Falamos, então, de um bem Universal, que deveria atender a todos de maneira igualitária e eficaz; e além disso, os idosos têm preferência nos atendimentos nas Instituições de Saúde em geral.
Experimentamos no Brasil, um sistema de saúde que serve de exemplo para os demais países do Mundo. Mas o que vemos, na realidade, são idosos que se preocupam quando pensam que têm de depender do Sistema Único de Saúde.
E por que essa preocupação?
Para 53% dos idosos, tornar-se mais velho, significa ter que lidar com doenças físicas, a ter mais cuidados com a saúde e a se deparar com a realidade do Sistema Público de Saúde.
A população idosa é a que mais depende do Sistema Público de Saúde, pelo fato dos valores abusivos cobrados por planos privados de saúde.
O Capítulo IV do Estatuto do Idoso, dita Do Direito à Saúde e traz no Artigo 15, inciso 3o , o seguinte: “É vedada a discriminação do idoso nos planos de saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão da idade.”
O artifício utilizado pelos planos de saúde, para que esses valores sejam diferenciados, visto que, em razão da idade o idoso passará a utilizar-se mais do mesmo, é reajustar o valor dois anos antes da pessoa em questão tornar-se idosa, ou seja, quando uma pessoa que paga por um plano de saúde completar 58 anos, o valor que esta paga por esse serviço praticamente triplica.
Imagine agora, uma pessoa que ganha um salário mínimo de aposentadoria, pagando por um plano privado de saúde.
Esses idosos, então, dependem do SUS para atendimento médico, para receberem medicamentos e muitas vezes, tratamentos até o final de suas vidas. E o que vemos, são idosos, que deveriam ter preferência de atendimento, ficarem horas para serem atendidos, muitas vezes de pé e ainda, não encontrarem os medicamentos os quais necessitam.
Os problemas não terminam por aí; além da saúde, encontramos problemas no sistema de transporte, onde 10% dos assentos são destinados a idosos, também assegurados por lei.
Mas mais do que ser assegurado por lei, encontra-se aí, a falta de cidadania das pessoas que insistem em ocupar assentos que sabem ser destinados a idosos e mesmo vendo idosos de pé, em ônibus ou trens lotados, não se levantam para que esses idosos possam se sentar.
Além disso, 5% das vagas de estacionamentos públicos e privados são destinadas aos idosos, para garantir, assim, a sua comodidade. E o que se vê, mais uma vez, é o desrespeito e a falta de cidadania de pessoas que ocupam essas vagas e ignoram as placas que advertem que aquelas vagas são destinadas a idosos.
Na área de urbanismo, no Estatuto do Idoso, fala-se sobre criação de projetos que eliminem barreiras arquitetônicas e criem mecanismos que possam viabilizar o acesso de idosos em equipamentos urbanos públicos.
Basta andar pelas ruas para vermos que nada é feito para que essas barreiras sejam minimizadas. Ruas de paralelepípedo, por exemplo, são os maiores vilões para idosos.
A lista de problemas é imensa e nos levaria a ficar discutindo teoricamente durante horas, identificando todos esses problemas.
Temos ainda os casos de abandono, de violência, de negligência, a não admissão de idosos em empregos por ser estipulada uma idade para admissão, a falta de eventos que tenham por público-alvo os idosos, etc.
Tudo isso apresentado no Estatuto do Idoso, tudo previsto por Lei.
Encontramos no Artigo 9o do Estatuto do Idoso:”É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.”
Ou seja, é obrigação do Estado e também, da sociedade garantir ao idoso liberdade, dignidade, como sujeito de direitos civis, políticos e sociais.
O idoso perdeu seu direito de ir e vir, vejamos as barreiras arquitetônicas, perdeu sua participação na vida política, não tem tanto espaço para prática de esportes e lazer, enfim, perdeu em parte, sua participação no seio familiar, basta olharmos para os casos de abandono, entre tantas outras coisas que podemos listar.
Casos esses de abandono, que vale citar, são previstos como crime e podem levar a detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa.
A minha experiência pessoal com idosos me mostra que a grande maioria dos mesmos se enxerga como fardo para a família e para a sociedade; o que acarreta em problemas como a depressão. Mais da metade dos idosos dizem que os parentes acabam mesmo esquecendo-se deles.
Os idosos tornam-se excluídos sociais, se tornam invisíveis aos olhos da sociedade.
Pouco se produz, inclusive, quando o assunto é literatura. Pouco fala-se sobre a situação do idoso, poucas são as produções de especialistas sobre o tema.
A sociedade ainda não está preparada para o idoso. Mas o que tem sido feito para preparar a sociedade para o idoso? Qual o interesse por parte do Estado em preparar a sociedade para o idoso?
Enfim, nos resta uma pergunta: Se o Estatuto da Criança e do Adolescente é levado tão a sério, desde sua criação, por que o Estatuto do Idoso não tem o mesmo peso na sociedade?
Muitos trabalhos de conscientização deveriam ser feitos para mostrar a sociedade a importância do idoso para todos nós, muitos projetos deveriam ser criados, a fim de mostrar que o Estatuto do Idoso deve ter o mesmo peso, a mesma importância que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A luta deve ser constante, para que o Estatuto do Idoso não termine por ser apenas mais uma Lei que não se faz cumprir.




terça-feira, 15 de março de 2011

A visão de uma JOVEM sobre os JOVENS

Sei que, para variar, muita gente vai ler esse post e vai achar que eu sou puritana ou que quero mudar o mundo ou que sou 'careta'... 
Mas, de verdade? Não me importo com críticas, cada um tem o direito de fazer o que quiser e de pensar o que quiser! 
Quando você pega o jornal ou uma revista ou assiste aos noticiários, muitos falam sobre os jovens, seu comportamento, seu mundo, gostos, enfim.
Porém, muitas dessas reportagens vêm de pessoas que não são mais assim, tão jovens e acabam por generalizar o que acontece no mundo jovem, tornam a imagem do jovem uma coisa só e esquecem que para toda regra existe uma exceção.
Por vezes, eu acredito ter nascido no tempo errado, quando olho o que acontece a minha volta e vejo o que esses mesmos jovens em questão, têm feito com as suas vidas (sem generalizar, é claro).
Minha cabeça é diferente da cabeça da maioria dos meus amigos, de pessoas com idade parecida com a minha..
Vamos exemplificar com um evento que acabou de acontecer: O Carnaval.
O Carnaval costumava ser esperado por todos por ser um período, primeiramente de descanso e por ser um período onde as pessoas podiam se divertir, dançar, sair em todos os blocos possíveis...
Hoje, a idéia de Carnaval é completamente diferente!
Vi milhões de pessoas planejando o Carnaval com meses de antecedência e juntando a maior quantidade de dinheiro possível para comprar a maior quantidade de bebidas que pudessem e depois tirar fotos e colocá-las em seus sites de relacionamento para que todos pudessem ver; como se isso fosse algum mérito.
Quando eu ia para rua para poder 'curtir' algum bloco, eu contava nos dedos as pessoas que estavam tomando água ou algum refrigerante.
E era de dar pena ver todos aqueles meninos bêbados, disputando para ver quantas mulheres eles conseguiriam agarrar e beijar. DEPLORÁVEL!
Qual o sentido de diversão hoje? Sair, beber, cair de tão bêbado e agarrar quantas pessoas puder?
Me desculpem, mas eu não vivo nesse mundo.
Já, já fui muito criticada por ser assim, já me perguntaram se eu era Evangélica, já falaram que eu era 'careta', já falaram que eu não sabia viver a vida...
Se viver a vida for isso, realmente, não sei vivê-la e agradeço por não saber vivê-la!
Sempre saí, sempre me diverti, sempre dancei, sempre ri horrores, mas nunca precisei disso.
Enxergo pessoas assim, como pessoas que têm vergonha de mostrar o que são e precisam usar algum tipo de artifício para justificar os erros que cometem.
Até bem pouco tempo atrás, contar aventuras sexuais era privilégio de homens, que se reuniam em grupinhos às segundas-feiras na Faculdade ou no trabalho e contavam todas as coisas sórdidas que haviam feito no final de semana.
Hoje, as meninas fazem o mesmo: Se reúnem e contam tudo que tem feito ou que deixam de fazer com parceiros ou com casos eventuais.
E depois, essas mesmas meninas querem ser respeitadas e sonham em encontrar alguém que fique com elas por toda vida; Enganam-se se pensam que os homens gostam de mulheres 'para frente'... Os homens são extremamente antiquados com relação a isso, eles curtem, eles saem, eles ficam com todas, mas na hora de ficar sério com alguém, eles querem uma menina de família. Isso nunca mudou e nem vai mudar.
Por que? Porque ele não quer sair na rua e ver outros homens falando que já saíram com a menina que está ao lado dele. Faz mal ao ego masculino.
O que eu sempre me pergunto é: Por que o jovem vive como se todos os dias fossem os últimos de suas vidas?
Hoje eu ouvi um menino falar: A vida passa rápido demais, a gente tem que fazer umas loucuras de vez em quando, se não, não tem nada para contar.
Eu tenho muitas coisas para contar e nunca precisei fazer nada que ferisse o que eu penso e muito menos, que envergonhasse os meus pais; até porque, na verdade, eu nunca me preocupei muito com o que aconteceria comigo se eu tomasse uma decisão errada, a minha preocupação era com o que meus pais iam pensar, a cara que eles iriam me olhar e a vergonha que eles poderiam sentir.
Acho que é isso que falta aos jovens de hoje: respeito àqueles que REALMENTE se importam com eles, que são seus pais. Mesmo sabendo que o sentido de família vem se perdendo.
Mas isso é assunto para um outro momento.
É momento de analisar o que será dos nossos futuros, o que queremos das nossas vidas...
Queremos mesmo ser vistos como uma geração perdida, promíscua e que só vai servir de mal exemplo?
Quando for nossa vez de sermos pais, será que teremos razão em dizer que 'não' aos nossos filhos depois de tudo isso que vamos ter feito, do que vamos deixar marcado no nosso passado?
O engraçado é que criticamos nossos pais e criticamos nossos amigos que não se enquadram no contexto 'louco' da coisa, mas quando temos a nossa família, fazemos exatamente como nossos pais e nossos amigos 'caretas' faziam.
Pensemos...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Como Explicar o Amor

Um dia reuniram-se os sentimentos e as qualidades dos Homens num lugar da Terra.
Quando o Aborrecimento reclamou pela terceira vez, a Loucura, como sempre, tão louca, lhes propôs:
- Vamos brincar às “escondidas”?
A Intriga levantou a sobrancelha, intrigada, e a Curiosidade, sem poder conter-se, perguntou: Às escondidas? Como é isso?
- É um jogo - explicou a Loucura - em que eu fecho os olhos e começo a contar de um a um milhão enquanto vocês se escondem, e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro que eu encontrar ocupará o meu lugar para continuar o jogo.
O Entusiasmo dançou seguido pela Euforia.
A Alegria deu tantos saltos que acabou por convencer a Dúvida e até mesmo a Apatia, que nunca se interessava por nada.
Mas nem todos quiseram participar…
A Verdade preferiu não se esconder. Para quê? Se no final todos a encontravam?
A Soberba referiu que era um jogo muito tonto (no fundo o que a incomodava era que a ideia não tivesse sido dela) e a Covardia preferiu não arriscar.
- Um, dois, três, quatro... - começou a contar a Loucura.
A primeira a esconder-se foi a Pressa, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho!
A Fé subiu ao céu e a Inveja escondeu-se atrás da sombra do Triunfo, que com o seu próprio esforço, tinha conseguido subir à copa da árvore mais alta.
A Generosidade quase não conseguia esconder-se, porque cada local que encontrava lhe parecia maravilhoso para algum dos seus amigos - se era um lago cristalino, ideal para a Beleza; se era a copa de uma árvore, perfeito para a Timidez; se era o voo de uma borboleta, o melhor para a Volúpia; se era uma rajada de vento, magnífico para a Liberdade. E assim, acabou por se esconder num raio de sol.
O Egoísmo, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início. Ventilado, cômodo, mas apenas para ele.
A Mentira escondeu-se no fundo do oceano (mentira! Na realidade, escondeu-se atrás do arco-íris) e a Paixão e o Desejo no centro dos vulcões.
O Esquecimento, não se recorda onde se escondeu, mas isso não é o mais importante.
Quando à Loucura estava já no 999 999!
O Amor ainda não tinha encontrado um local para se esconder, pois todos já estavam ocupados, até que encontrou um roseiral e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre as suas flores.
- Um milhão - contou a Loucura, e começou a procurar.
A primeira a aparecer foi a Pressa, apenas a três passos de uma pedra. Depois, escutou-se a Fé a discutir com Deus no céu sobre zoologia.
Sentiu-se vibrar a Paixão e o Desejo nos vulcões.
Num descuido encontrou a Inveja e, claro, pôde deduzir onde estava o Triunfo.
O Egoísmo, nem teve que procurar, porque ele, sozinho, saiu disparado do seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas.
De tanto caminhar, a Loucura sentiu sede e, ao aproximar-se de um lago, descobriu a Beleza.
A Dúvida foi mais fácil ainda, porque a encontrou sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado esconder-se.
E assim os foi encontrando a todos…
O Talento entre a erva fresca. A Angústia numa cova escura.
A Mentira atrás do arco-íris (mentira! Estava no fundo do oceano.) e até o Esquecimento, que já tinha esquecido que estava a brincar às escondidas.
Apenas o Amor não aparecia em nenhum local!
A Loucura procurou atrás de cada árvore, debaixo de todas as rochas do planeta e em cima das montanhas. Quando estava a ponto de dar-se por vencida, encontrou um roseiral. Pegou uma forquilha e começou a mover os ramos, quando no mesmo instante, escutou-se um doloroso grito. Os espinhos tinham ferido o Amor nos olhos!
A Loucura não sabia o que fazer para se desculpar: chorou, rezou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser a sua guia.
Desde então, desde que pela primeira vez se brincou às escondidas na Terra: o Amor é cego e a Loucura sempre o acompanha

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Exploração do Trabalho Infantil

O trabalho infantil está presente desde os primórdios de nossa sociedade. Passando por momentos onde as crianças pareciam ter mais direitos e momentos onde esses direitos eram postos em cheque.
Em 1973, a Organização Internacional do Trabalho, fixou como idade mínima recomendada para o trabalho infantil, a idade de 16 anos, porém admitia-se que, em países mais pobres, crianças com idade mínima de 14 anos trabalhassem.
Existe uma realidade muito mais perversa por trás do trabalho infantil; as crianças eram colocadas para trabalhar, pois eram mão de obra barata e além disso, por serem mais jovens, tinham mais vigor físico, o que fazia com que as fábricas pudessem produzir mais em menos tempo. Porém, essas crianças laboravam sem qualquer proteção e em jornadas exaustivas, como se fossem adultos.

“(...) Tornando supérflua a força muscular, a maquinaria permite o emprego de trabalhadores sem força muscular ou com desenvolvimento físico incompleto, mas com membros mais flexíveis. Por isso, a primeira preocupação do capitalista, ao empregar a maquinaria, foi a de utilizar o trabalho das mulheres e das crianças. (...) [Entretanto,] a queda surpreendente e vertical no número de meninos [empregados nas fábricas] com menos de 13 anos [de idade], que freqüentemente aparece nas estatísticas inglesas dos últimos 20 anos, foi, em grande parte, segundo o depoimento dos inspetores de fábrica, resultante de atestados médicos que aumentavam a idade das crianças para satisfazer a ânsia de exploração do capitalista e a necessidade de traficância dos pais.”
(MARX,1867,451 e 454).


Foi no período da produção manufatureira, que vimos ser potencializado o emprego do trabalho infantil, onde a legislação conseguia ser burlada.
A Constituição de 1988, foi um avanço em muitos sentidos, inclusive quando falamos do tripé Assistência, Seguridade e Saúde. Além disso, dita sobre a proibição do trabalho infantil, porém sem nenhuma punição criminal para aqueles que desobedecem à legislação.
Através das brechas presentes em nossa Constituição, o empregador pode não sofrer sanção penal e nem ter que pagar uma multa trabalhista, visto que o Artigo 7 prevê a proibição de qualquer trabalho a menores de 14 anos, porém abre exceção àquele que se encontra em condição de aprendiz.
A questão do menor, vem sendo discutida há anos. Decretos foram criados a fim de tornar legal o trabalho infantil, mas o que parecia não ser entendido, era o fato de que essas crianças não deveriam estar trabalhando em fábricas, em carvoarias ou na agricultura, enfim. Essas crianças deveriam ter direitos, direitos específicos e deveriam estudar, serem crianças realmente. Desde muito cedo as mesmas começavam a trabalhar, porque eram vistas como adultos menores e não como crianças.
Passamos por períodos onde a questão do menor foi considerada um caso religioso, onde a Igreja prestava auxílio a crianças órfãs ou expostas; períodos onde foi considerada um caso filantrópico que se sobrepunha aos auxílios caritativos, passando a sistematização. Houve ainda um período em que foi considerada como questão de segurança nacional e tratada como caso de polícia, onde foram criadas instituições onde os menores deveriam ser internados. Tomamos como exemplo a criação da FUNABEM; e por fim, um período que perdura até os dias de hoje, com a inserção na Constituição de 1988 sobre os direitos da infância e da juventude, que foi a gênese para a criação do ECA em 1990.
O IBGE estimou em 2003, cerca de 5 milhões de crianças e jovens na idade entre 5 a 17 anos que possuem alguma atividade remunerada, em detrimento da lei que proíbe trabalho para menores de 16 anos. O universo de trabalhador-mirins pode ser muito maior que os números possam registrar uma vez que não é possível coletar dados satisfatoriamente das inúmeras fazendas e pequenas oficinas de trabalho escravo escondidos e espalhados pelas diversas regiões do país.
Não é possível combater sistematicamente o trabalho infantil apenas com bom-mocismo e uma cesta de políticas pífias como as tais “bolsas-auxílio-alguma-coisa” (ou melhor, bolsa de perpetuação da miséria!) e fiscalização frouxa (aliás, quando existe alguma fiscalização com um número de fiscais irrisórios para o quadro nacional!). 
No caso do Brasil, os números governamentais podem ter algum declive, mas jamais teremos uma erradicação completa do trabalho infantil. Na prática, em nenhum lugar do mundo onde existe superexploração do trabalho infantil terá mudança substancial sem abalar estruturalmente o sistema capitalista que o alimenta e reproduz repetitivamente de forma quase perpétuo.
O trabalho infantil das crianças brasileiras é um bom exemplo de uma verdadeira vergonha da humanidade, entre tantas outras misérias em nome da disputa incomensurável pelos lucros, que produz uma acumulação de bens e capital com o suor, lágrimas e dedos estourados desse enorme continente populacional de escravos-mirins.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Traição/Infidelidade

"Infidelidade é o descumprimento de um compromisso de fidelidade. É uma violação de regras e limites mutuamente acordados em um relacionamento. Em sua acepção mais comum, a fidelidade é manter relações amorosas somente com uma pessoa que é sua parceira ou parceiro."


Começo esse post com uma pergunta: você perdoaria uma traição?
Bom, eu não.
E assim, faço outra pergunta: Por que as pessoas são infiéis?
Eu fui criada num mundo que parece ser paralelo ao das pessoas que eu conheço, já que a grande maioria das pessoas ao meu redor, considera traição algo normal.
A citação acima diz que fidelidade é manter relações amorosas somente com uma pessoa ou parceiro, por que não conseguimos (sim, generalizando), nos contentar com somente um relacionamento? Por que parece que a traição está cravada em nosso âmago?
Em que parte da história foi dito que trair é algo natural e que pode acontecer, quase que por acidente?
Quando você realmente ama alguém e acima disso, respeita esse mesmo alguém, só essa pessoa te basta, você não vê necessidade de olhar para mais ninguém e nem vontade de estar com outra pessoa, porque quem está ao seu lado, te completa, soma...
Sim, sou daquelas que acredita que a pessoa que trai, não ama e sim, sou criticada por pensar assim.
Já ouvi coisas do tipo: "Eu traio minha esposa só porque nós moramos longe um do outro, passamos muito tempo longe e eu me sinto sozinho. Mas eu amo muito a minha esposa."
Não, você não ama sua esposa. Quem você quer enganar?
O casamento costumava ser algo sagrado; parece que todos os valores estão sendo deixados para trás.
A relação extra conjugal sempre foi algo comum (mesmo assim, erradp), no Universo masculino. O homem sempre teve necessidade de auto afirmação e quase que por instinto animal, costumava ter mais de uma parceira. Mas em algum lugar do caminho, o qual não sei precisar, a mulher se achou no direito de fazer o mesmo, de começar a agir como homem.
Queremos espaço sim nessa sociedade machista, mas será que é desse jeito que seremos respeitadas?
A mulher quer ser reconhecida, quer ser vista e quer se fazer diferente do homem e superior a ele, mas será que ao trair e ser infiel, ter milhões de parceiros e desrespeitar a pessoa que está ao seu lado, ela está sendo superior? E ainda tem a capacidade de vir com a história de que "homem só muda de endereço", "homem não vale nada"... Mas o que estão 'valendo' as mulheres?
Uma pesquisa feita em uma Universidade de Londres comprovou que homens e mulheres com QI mais alto têm menos tendência a trair seus parceiros. Então, dá para concluir que a traição tem relação com inteligência, com evolução, certo?
Eu me questiono se quem trai, já foi traído em algum momento, se descobriu a traição. Posso garantir que é a pior sensação do mundo.
Você constrói sonhos e aspirações em torno de alguém que ama e saber que foi traído (a), destrói quaquer coisa e qualquer pessoa, por mais forte que seja; você se sente reduzido a quase nada, se sente trocado como se fosse uma mercadoria e não consegue parar de se perguntar onde foi que errou.
Você não errou! A pessoa ao seu lado não sabia amar.
Trair por que, ser infiel por que? Se o seu relacionamento está ruim, uma traição não vai fazer melhorar!
Essa desculpa é a pior de todas, sem dúvidas!
Eu olho o Mundo e as pessoas e, de verdade, não consigo ficar a vontade ao pensar em quais valores vamos deixar para as gerações futuras!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Óbvio

Por que é tão difícil para nós prestar atenção às coisas que estão na nossa frente; ou como diz a sabedoria popular: as coisas que estão na "nossa cara"?
Será que por ser óbvio demais não damos importância ou por que é fácil, ficamos desconfiados, pelo fato de estar ali ao alcance das mãos?
A verdade é que o ser humano é propenso a gostar do difícil, do que é inatingível, do impossível e do que mais faz sofrer. 
O caminho para o impossível, gera expectativa, gera sonhos, gera desejos... E por fim, frustrações! 
Posso exemplificar para ser mais fácil de ser compreendido: passamos a vida procurando felicidade plena, mas procuramos em coisas grandiosas e externas à nós e deixamos de procurar no lugar mais óbvio: dentro de nós.
A felicidade plena só existe em nosso interior e nós precisamos aprender a colocá-la para fora. A felicidade não é algo externo a nós; o que nos é externo, nos traz felicidade momentânea e nos faz acreditar que "felicidade não existe, o que existe são momentos felizes".
Felicidade existe sim! Só que não podemos esperar que ninguém seja feliz por nós ou que alguém nos ensine a ser felizes, e ninguém é capaz de nos fazer felizes. Quem acredita que é feliz porque outra pessoa o faz feliz, tem grandes chances de levar um tombo. Os únicos capazes de nos fazer felizes, somos nós mesmos, ninguém mais.
Um outro exemplo é a nossa procura eterna pelo amor verdadeiro.
Passamos a vida procurando felicidade, mas passamos a Eternidade procurando pelo amor.
Mas o básico para amar alguém, nós nunca fazemos.
Eu posso perguntar a qualquer pessoa, já esperando a resposta: quem de nós se ama realmente? 
Poucas são as pessoas que dirão que se amam.
Ora, se não nos amamos e não nos respeitamos, como esperamos que alguém nos ame e nos respeite?
Um famoso escritor uma vez disse que todos os dias, deveríamos praticar o seguinte exercício: pegar um espelho e dizer "eu te amo"; assim, uma hora ou outra, aprenderemos a nos amar.
Mas será assim, tão difícil amar a si mesmo? Somos capazes de amar pessoas, animais, lugares, cheiros e até objetos, mas não conseguimos nos amar. É uma incongruência. 
Mas enfim, voltemos a falar sobre nossa eterna busca pelo amor...
 Mais uma vez, concluo ser algo óbvio. E por quê?
Simples: pense num amor que você já teve na vida, mesmo que não tenha dado certo. Feito isso, pense em todos os lugares onde você procurou antes de encontrar essa pessoa. Procurou bastante e em diversos lugares, certo? E essa pessoa estava onde? O mais próximo possível de você, com certeza.
Era um amigo, um conhecido, alguém que trabalhava perto da sua casa, mas que por algum motivo, você nunca olhou com outros olhos ou que nunca enxergou de maneira diferente, até um dia, seu coração bater de maneira diferente por esse alguém ou por ter passado a enxergá-lo.
Exercitar nosso amor próprio é o primeiro passo, inclusive para encontrar a tal felicidade que tanto buscamos.
Já passou da hora de pararmos de depender de outras pessoas para podermos ser felizes de verdade.
O segundo passo, é passar a prestar atenção nas pequenas coisas, àquelas que consideramos sem valor e prestar atenção às pessoas a nossa volta. Tem sempre alguém por perto, que vai fazer diferença. SEMPRE!
Temos que parar com essa busca desenfreada por tudo e em lugares inusitados. 
O que mais queremos, encontramos nos lugares mais óbvios!